Quando acordei na quarta, no dia 31 de outubro, as contrações estavam presentes. Logo baixei um aplicativo chamado de Contrações, mostrei nos Stories do Instagram, e estavam irregulares com frequência entre 7 em 7 minutos ou entre 10 em 10 e depois espaçava. Ou seja, sem ritmo. Seguimos o dia assim. A tarde, fizemos cardiotocografia com 2 de dilatação, era um bom começo.

A meia-noite voltei ao hospital, nem malas de maternidade havia levado. A minha intenção era voltar pra casa. Cheguei no hospital com dilatação total, sem nem imaginar, porque as dores eram toleráveis.  E eu com meu marido sem acreditar! Mas já era o agir de Deus. Toda a equipe ficou impressionada ao saber e comentavam: “olha a cara dela nem parece estar em trabalho ativo com dilatação completa”. Também mostrei no Stories fazendo o exame. Voltamos para casa. Enzo estava na escolinha que depois iria para casa do amiguinho, teriam uma noite divertida deste dia das bruxas.

Meu doulo, meu amor.

Entre as contrações, minha bolsa estourou pelas 4 da manhã. Meu corpo se tornou uma cachoeira de fluidos de oxitocina. Pensei, “Bem, finalmente aconteceu…a minha bolsa estourou”.  A todo momento meu marido estava comigo, me apoiando, ao meu lado. Fez  muita muita massagem a cada contração que podia passar rápido ou naquela que não tinha fim. Usei a bola, largava e agachava no chão, fui ao chuveiro com água bem quente, não adiantou nem 10 minutos, quis fugir dali. Subir em cima da cama para exames era impossível.

Mas as dores se intensificaram a ponto de não aguentar mais. De quase xingar a equipe que me acompanhava. Me sentia estranha. Pensava “não vou conseguir”,  “não quero mais”, “eu quero analgesia”. Pedi analgesia, fui atendida, estava tonta, cansada, com fome, precisava de um tempo, sem pensar direito às 4 da manha recebi minha analgesia raqui, aquela em sinto relaxamento do corpo mas controle dos movimentos.

 


 

No total de 24 horas de trabalho de parto, estava perto de ter o Benício em meus braços. A cada contração, mais perto dele. Frase que mais ouvia nas sessões com minha fisioterapeuta Betina. Dali com aquela calmaria das dores, sentia a vontade de fazer força, aquela similar de querer fazer coco. fiquei bom tempo fazendo força  e nenhum sinal que estava para o fim.

O cadiotoco foi indicado e o prognostico não foi dos melhores. Estávamos todos felizes, mas ele não descia. Soube ali que o coraçãozinho estava perdendo batimentos e a cada força que fazia, ele subia ao invés de descer.  Fiquei surpresa. Meu marido atônito, sem acreditar também no que poderia acontecer.

Algo que eu gostaria de acrescentar foi que fiquei com medo. Fiquei perplexa, acho que é porque minha mente estava focada em conhecê-lo em vez de empurrá-lo. Meio contraditório mas era verdade. Após mais 2 horas empurrando, fazendo força, Benício coroou. Tive a sensação que ficaria ali. Sem dar mais nenhum passo. A equipe conversavam entre si, eu participava. Coloca meu desejo em jogo. A equipe cochichava que não poderiam esperar muito. Eu aceitei uma episio, eu sei que isto salvaria a vida do meu filho. Durante o trabalho expulsivo, o Benício chegou a coroar, coloquei a mão para sentir o cabelinho dele. Mas uma última força para senti-lo deslizando para meus braços.

E quando esse encontro finalmente aconteceu fechei os olhos e fiquei só com a sensação daquele corpinho pesado e molhado. Logo olhei para meu marido, ele nos abraçou bem emocionado.  Foi igualmente tão lindo quanto o meu primeiro parto mas de forma diferente e abençoada, o Benício veio ao mundo com muito amor, papai quem cortou o cordão umbilical enquanto estava em cima de mim.

 

Ficamos uma hora com ele assim, como vê na imagem, nos conhecendo e ele mamando. Foi tudo muito mais do que imaginei e faria tudo acontecer novamente.  Se você é uma mamãe que teve uma cesariana prévia, como eu, a sua história não te define quem você é como mãe. Seu amor. Seu compromisso. Sua determinação. Seu desejo de fazer o que for preciso para ter certeza que seu bebê estará seguro e saudável e devidamente cuidado. Isso é o que torna a sua história especial.

Isso é o que te faz uma grande mãe. Arrasa com orgulho! E cada uma tem sua história para contar, sua experiencia, sua vivência que precisa ser respeitada.

Raquel Jaskulski

“mais do que uma terapeuta ocupacional eu também sou uma mãe”

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