O casamento e o puerpério. Aquilo que parece ser o fim, na verdade pode estar sendo apenas um recomeço. Portanto, antes de tomar qualquer decisão, espere o puerpério passar.

Se tu tens filhos pequenos e está com dificuldades em conciliar a relação amorosa, este texto pode te interessar. Nossos filhos chegam inaugurando uma nova fase para a família. Nem melhor, nem pior, mas diferente. É o fim de uma etapa da vida do casal, e o início de uma nova família. A relação se transforma. E a intimidade do casal pode ficar de lado. Parece insano te dizer para ter paciência, justo nesse momento tão desafiador que é o puerpério, mas é preciso aceitar esse novo contrato, novo acordo, nova identidade do casal.

 

O PUERPÉRIO

 

O puerpério é uma fase do pós-parto que pode durar dois anos ou mais, pois é o tempo que o nosso organismo precisa para se reestabelecer. É um período de grandes transformações e alterações físicas, psicológicas, sociais e hormonais.

Eu já passei pelo puerpério duas vezes. Já fiz minhas malas mentalmente. Tenho amigas que já fizeram de verdade. Tem maridos que já saíram de casa. O meu deve ter ido embora em pensamento uma porção de vezes. Assim que o bebê nasce vivemos um período de incontrolável exaustão, sobrecarga, brigas, cansaço, cobranças… Por algum tempo a cama serve apenas para deitar e dormir. Não há desejo, não há lubrificação, não há o olhar para o outro.

É muito importante olhar para essas dificuldades todas e aceitar. Abraçar aquilo que nos incomoda e dizer ao outro o que estamos pensando e sentindo. Escutar.

Acredito muito no diálogo. Tu não sabia que seria assim tão difícil, teu companheiro também não sabia. Vocês dois foram pegos de surpresa e precisamos conversar sobre isso. Pós-parto é um momento de profunda ambivalência. É alegria e luto. A entrada de um filho em nossas vidas significa a perda do nosso antigo eu. E a expectativa que criamos em torno da maternidade, faz que com a gente pense que alguma coisa está errada quando não damos conta, por um período, de sermos mãe e mulher, pai e homem. Mas é normal, e depois pode melhorar.

No livro A Escolha do Cônjuge, a psicóloga e especialista em terapia de casais e famílias Iara Camaratta Anton, diz:

“O relacionamento entre casais que se amam pode ser considerado amoroso e pleno de sexualidade inclusive naquelas circunstâncias nas quais a intimidade física, por alguma razão, mostra-se drasticamente limitada. Tais realizações, porém, não substituem o relacionamento sexual entre duas pessoas, ainda que a fonte talvez seja a mesma. Ou seja, não substituem a atração física entre macho e fêmea, o amor, o acasalamento ou a cópula; não correspondem, por si só, à ‘genitalidade’.”

Muitas mulheres referem medo e dor ao retomar as relações íntimas no pós-parto. Grande parte prefere usar a cama apenas para dormir, depois de um dia exaustivo de cuidados e atenção ao bebê. Alguns homens referem medo de machucar a esposa, por exemplo, e também acabam evitando a intimidade física. O que precisamos entender, é que a relação está se transformando e passando por um novo contrato, onde o mais importante neste período será a compreensão, o carinho e o cuidado. A mãe que cuida precisa ser cuidada.

Camaratta continua:

“É relativamente comum que, em algumas etapas da vida, homens e mulheres venham a ter reduzido o seu desejo sexual, a ponto de realmente não se excitarem e nem chegarem ao orgasmo, mas, em condições normais, este fenômeno é, por si só, passageiro. Gestação, filhos pequenos, climatério, períodos excepcionalmente estressantes fazem parte da vida e algumas doenças costumam interferir – mas espera-se que não desencadeiem insatisfações crônicas”.

Portanto, não se culpe.

Eu já estive neste lugar duas vezes e vou te revelar o maior segredo: cuide de ti! Faça as coisas que tu gosta, que te fazem bem. Olhe para ti. Procure um momento para estar sozinha. Se for possível façam programas só de casal, sem os filhos. Se tu estiver bem, conseguirá lidar com todas as adversidades deste período tão sensível de nossas vidas.

Ano passado eu e meu marido completamos 10 anos de relacionamento e 5 anos de casados. Nosso filho mais novo estava prestes a completar dois anos, então eu estava em momento extremamente difícil da minha maternagem. E sabe qual presente ele me deu? Uma semana em Salvador na Bahia, em um resort maravilhoso, SOZINHA. Isso mesmo!!

Sozinha, sem marido, sem filhos, sem horários, sem compromissos, sem preocupações. Isso mostra o quanto ele se preocupa comigo, embora muitas vezes eu lhe dê patadas, embora na maioria das vezes eu me preocupe mais em ser mãe do que esposa. Ele é sábio e tem convicção que isso vai passar. Ele não mede esforços para que eu cuide de mim mesma, e renovada eu possa olhar para ele e nossos filhos com mais paciência e energia.

Cuide da tua esposa. Cuide do teu marido. Cuide da relação. Cuide de ti. Se for preciso, procure ajuda especializa. Cada casal vai encontrar seu jeito de fazer isso, apenas espere o puerpério passar.

Até a próxima,

Gisele Palmas.

Gisele Palmas Pacheco é consultora materno-infantil e estudante de psicologia, com experiência de mais de 8 anos em educação infantil. Atua apoiando mães a desenvolverem capacidades de Resiliência para enfrentar as dificuldades do Puerpério e assim vivenciarem uma experiência mais leve e real da maternidade, educando filhos tranquilos, amados e felizes.
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