Minha experiencia com exame Vilo Corial não foi das mais tranquilas, alias a decisão de fazer foi como estar perdida na escuridão, mas em nenhum momento deixaria de cuidar do meu bebê. A indicação para este exame veio após a triagem da morfológica do primeiro trimestre que se somaram a minha história das perdas gestacionais anteriores e pela minha idade acima dos 40 anos.

Meu contato com este exame começou quando chegamos nas 12 semanas e 4 dias de gestação, estávamos entusiasmados para nova ecografia para vermos alguns marcos importantes do feto. Para quem não sabe, é nesta primeira morfológica que se avalia riscos para algumas doenças genéticas. O médico observa três fatores como cálculo da translucência nucal, o osso nasal e o coração.

Cheguei neste exame muito nervosa e preocupada. Comentei com meu marido que estava muito aflita, por ser terapeuta ocupacional e pela minha pratica, ter trabalhado com muitas crianças com patologias genéticas. Ainda lembro do medo que senti naquele dia. Ainda me lembro de cada hora até o resultado do exame sair, assim como vinha na minha cabeça todos os momentos bons das primeiras semanas de gravidez, como a graça alcançada, a aflição de uma nova gestação após 2 perdas gestacionais, a insegurança e a alegria me dividia emocionalmente durante aquele fim do primeiro trimestre.

Por decisão, entre eu e meu marido, resolvemos não anunciar a gravidez a família e amigos até que tudo estivesse bem com o bebê. E passava pela cabeça que agora seria diferente, a fé veio tomando conta  de mim diariamente. Após a morfológica, a médica veio conversar com um tom nervoso. Quando ela nos disse da alteração da translucência nucal, gelei meu corpo.  A medida veio 2,6 mm quando o limite é 2,5 mm.

Logo calculando todos os riscos que passávamos, ela indicou o exame do Vilo Corial- vilosidades coriônicas ou amniocentese. Ela explicou que tínhamos risco de aborto, mas seria baixo sendo realizado com especialista. A consulta daquela tarde ficou ecoando na minha cabeça pelo possível diagnóstico em que haveria possibilidades do bebê com síndromes que não tivesse qualidade de vida, ou incompatível com a vida, essas foram as palavras mais dolorosas que alguém me disse naquele dia. Por isso escolhi não acreditar. Escolhi viver todos os dias, dia a dia.

No dia seguinte, conseguimos realizar o exame com um dos melhores especialistas aqui em Porto Alegre, o procedimento foi feito com anestesia local e foi guiada pelo ultrassom. Confesso que fiquei segura, recebi um suporte da equipe e do médico Dr. Magalhães de forma grandiosa. Mas bem na hora da coleta do material, entrei em desespero, o medo me inundou!

Foram 5 dias de espera para o resultado mais difíceis desta gestação. Como não podemos prever a vontade de Deus, oramos para que, se houvesse qualquer dificuldade dele, que ele nos preparasse para o caminho a seguir. Oramos para que ele nos fizesse os melhores pais possíveis para nossos dois filhos.

Segunda, logo pela manhã, recebi a ligação dele, tremia a cada palavra dele até ouvir o resultado. O negativo para doenças sindrômicas. A certeza que o bebê esta bem! O alívio tomou conta do lugar das angústias. Não há um dia em que não agradeço a Deus, a possibilidade de reviver uma gestação segura. Eu sei que o bebê foi uma bênção para nós e seremos uma bênção para ele, não importasse qual a condição médica, caso ele enfrentasse.

Voltamos ao consultório do Dr. Magalhães no dia seguinte para outras orientações, porque então devemos acompanhar o bebê a cada ecografia, pois todas são importantes. Ele nos explicou que há vários outros motivos para alteração da translucência como doenças cardíacas, doenças renais, dentre outros. E nossa próxima eco deveria ser feira com 16 semanas para avaliar a nuca do bebê. Já passamos por este novo exame, e está tudo normal, a região está desinchada, o liquido foi absorvido!!

Uma outra parte maravilhosa do exame do vilo corial, foi a revelação do sexo do bebê, ali descobrimos que seria outro menino. Que o Enzo teria um parceirinho para suas brincadeiras para sempre. Não via a hora de chegar em casa para abraça-lo e dizer-lhe que o tal desejado maninho estava no forninho da mamãe.

 

Certa vez me disseram que  quando “podemos contar a nossa história, e não choramos, saberemos que o nosso coração se curou.”, o  terrível exame do Benício realmente me atingiu emocionalmente. Tinha tanto medo de ter outro bebê porque tinha medo de perdê-lo. Mas o nosso Benício, sim nosso novo menino, me curou de dentro para fora. Por isso resolvi dividir com você o que passamos.

Espalhar a consciência sobre este exame além dos meus abortos anteriores, que você pode ler AQUI, também quero que saiba que há felicidade e luz no fim desses dias sombrios. Há esperança. Fomos abençoados além de tudo o que mereço.

Feliz em ajudar,

Raquel Jaskulski

“mais do que uma terapeuta ocupacional eu também sou uma mãe”

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